No dia 20 de novembro se comemora o Dia da Consciência Negra no Brasil, uma data importante para refletirmos como a guerra às drogas alimenta o racismo no Brasil e no mundo. Uma pesquisa feita nos Estados Unidos evidencia que  brancos e negros praticam a venda e o uso de drogas, porém negros têm cerca de 2,6 mais chances de serem presos por crimes relacionados ao tráfico.

Para falar sobre isso, entrevistamos o professor da Rede Pública Eduardo Ribeiro, Coordenador da Iniciativa Negra Por Uma Nova Política sobre Drogas e membro da Rede Latino-Americana de Pessoas que Usam Drogas, que nos conta que a guerra às drogas sempre foi uma guerra contra pessoas.

Qual a importância do dia da consciência negra?

O dia 20 de novembro é um marco importante não apenas para demarcarmos a importância da luta negra contra a escravidão. É outro de tantos momentos para reapresentarmos a centralidade da luta pela superação do racismo, elemento estruturador das relações políticas, econômicas, sociais e culturais no Brasil. É um momento de visibilidade da contribuição negra para a construção do Brasil a partir do signo da luta, e também um espaço em disputa, onde diversas narrativas pronunciam o protagonismo negro no entendimento do momento atual do país. O 20 de novembro são as mulheres pretas em marcha, e é como sempre estiveram. São jovens empretecendo e encrespando as ruas. É mais um motivo para a celebração das nossas memórias, renovação das nossas esperanças e alimento das nossas batalhas.

Você considera que há alguma relação entre racismo e uso de drogas?

Conseguir vincular a pauta da política sobre drogas com a pauta da juventude negra é poder dar nome às mortes que vêm sendo contabilizadas ao longo dos anos e que são legitimadas pela ideia de que existe uma guerra às drogas; a história do proibicionismo nos demonstra que a guerra às drogas sempre foi uma guerra às pessoas: ela criminaliza a pobreza e encarcera a juventude negra.

A permanência constante na história brasileira de um estereótipo racializado na construção dos “suspeitos”, levantados pela ideia das classes perigosas no início do século passado, e que organiza o saber-fazer policial, está também conformada de forma estrutural no sistema judiciário brasileiro. Aqui, a seletividade do sistema penal desdobra-se sobre um ideal punitivista que focaliza alguns segmentos sociais e tipos de delito, sobretudo os crimes contra o patrimônio e o tráfico de drogas, e se dedica ao aprisionamento e execução da população negra. Observemos a persistência de mazelas históricas no sistema prisional e a reprodução constante de desigualdades no campo da justiça criminal, pois esse modelo é parte de um projeto político das elites, e não é acessório: é estruturante.

Quais são as saídas possíveis para a inegável violência e o encarceramento da juventude negra no Brasil?

É fundamental pensarmos medidas de desencarceramento. A proteção das mulheres encarceradas, mães, gestantes sobretudo, é urgente, necessário, e o serviço ofertado é desumanizante, degradante. A urgência em determinarmos um marco legal para substâncias tornadas ilícitas não pode vir desacompanhada de medidas que combatam o racismo institucional, que estrutura o nosso modelo de segurança pública e o judiciário. É fundamental aliarmos a proteção à vida ao um modelo de promoção de acesso a direitos para a nossa juventude negra. Desmilitarizar a polícia e estruturamos um modelo de segurança pública que oferte a proteção, e não a guerra, como saída é fundamental. E também é preciso encontrar mecanismos de acolhimento ao uso abusivo das substâncias, baseados no respeito aos direitos humanos, à autonomia e à promoção de cidadania.

38 thoughts on “Há relações entre racismo e uso de drogas? Eduardo Ribeiro responde

  1. O racismo existe. Eu sou negra e já passei por várias situações desagradáveis no meio que vivo. Falamos muito que não somos pessoas preconceituosas, mas, quando fazemos um comentário pré de alguma situação ou de alguém já estamos praticando o preconceito. Não é só o negro, ou o pobre, e sim o obeso, o drogado, o homossexualismo, o alcoolista e muitos outros.

    • Maria, realmente o preconceito não é só com os negros, mas é o que mais se destaca. Noto que grande parte da população brasileira tem algum tipo de preconceito, muitas vezes velados, mas os tem

  2. É um grande sentimento que temos quando a pesquisa esta dos Estados Unidos, que ainda pendura essa mentalidade de que os negros tem possibilidades de ser preso com mais facilidade, em se tratando de ser humano não poderia ser desta forma, mas fazer o que se esta mentalidade ainda existe, mas precisamos ter em mente que precisamos trabalhar para mudar este percentual.

  3. Todos somos capazes e temos os mesmos direitos,vamos nos respeitar, nenguem e menos ou menor que outros,afinal somos todos iguais,negros,brancos,amarelo,mamelucos e cafusos,e viva a vida em paz e harmonia .

  4. Tenho 63 anos,sou brasileira, e sobre esse assunto tenho a dizer que ,ouco,leio,participo de movimentos e semiários nas fac culdades e outras instituicões e o tempo passa ,passa ,e o discurso e sempre o mesmo,daï, eu me pergunto,o que pode de fato e direito ser feito ,ou criado,ou inventado para que o ser humano de hoje sec.21,e os seguintes se transformem em seres humanos integrantes da mesma natureza que nos acolhe tão bem, em seres conscientes e iguais,independente de raca,cor,religião,política ?Poderia comecar uma concientizacão dos seres humanos no jardim de infância,ensinar desde o berco ,que os humanos somos todos nós seres pensantes.Ë muito triste e vergonhoso para a raca que se diz a única inteligente no planeta,oh, cade , vamos parar de uma vez por todas, vamos tomar uma iniciativa de conscientizacão do ser humano,quem sabe esse sabe dá certo e esse tal preconceito e racismo sai pra sempre do cunho do ser humano,vamos respeitar as diferencas.

  5. Penso que o preconceito no Brasil está mais relacionado ao poder econômico. Quando que o Pelé sofreu preconceito? Claro que se a pessoa, além de pobre, tem a cor negra, o preconceito é maximizado. E isso tem relação com a temática que estamos abordando. Só a educação, começando no lar, é que vai transformar toda esta situação de injustiça. Quando tivermos um povo bem educado, as pessoas saberão tratar umas as outras com humanidade, independente se é pobre, preto, culto, drogado, marginalizado, etc…

  6. É claro que as drogas está diretamente ligadas ao racismo, haja vista que o número de prisões de jovens negros e mortes é extremamente maior que o número de adolescentes brancos. Quando vemos as reportagens sobre a criminalidade que está diretamente ligada ao tráfico e consumo de drogas, isto porque jovens negros das periferias e comunidades dificilmente consegue ingressar nas faculdades e a faixa etária de desemprego de jovens negros també muito grande, logo acabam sendo arrebanhados pelo tráfico.

  7. Eu concordo com a Iolita e a Rosangela, eu sou negra e realmente os olhares sâo de preconceito e muito racismo, hoje mesmo com a grande quantidade de Negros ocupando diversos cargos,como o presidente do supremo tribunal de justiça, joaquim Barbosa,o Estado Unidos tem um Presidente Negro, mesmo assim ,mesmo assim ainda ha muito preconceito,que leva a falta de oportunidade e as drogas.

  8. É claro o vinculo entre as drogas e o racismo, várias pesquisas , documentários mostram que muitas mortes ( execuções) são de pessoas negras. Segundo Eduardo Ribeiro “ela criminaliza a pobreza e encarcera a juventude negra.” Sempre esteve presente o estereótipo que tem como foco a pobreza e a da cor de pele, o que reproduz as classes sociais e o preconceito presente.

  9. Existe muitos casos de racismo, injúria racial e preconceito, mas já teve muito mais. Concordo que hojehá muitos negros que estão ocupando cargos de valor tanto quanto outras pessoas. Há pessoas negras na política, na religião, nas profissões como advocacia, medicina, como atores que tem vozes para expressar indignação por sofrerem de injúria racial, como temos visto na tv. É notável a presença de negros nos noticiários diariamente, todas vivem, lutam, trabalham, buscam o melhor para viver.

  10. A importância da consciência negra pela superação do racismo..Porque a raça negra sofre muito preconceito pela sua cor através da comunidade em geral.Por isso a importância da Valorização da Cultura Negra.

  11. Precisamos resistir e criar estratégias de superação e combate ao racismo que ainda acontece na nossa sociedade e se efetive de fato a justiça e igualdade de direitos. Reflexões como acontecem no dia da consciência negra são importantes para se trabalhar e ressaltar o valor da cultura e do povo africano na formação cultural do nosso país.

    • Ainda e muito forte o preconceito com negro e drogado e principalmente se o drogado for negro e tatuado . Precisamos dismistificar essa realidade . Porque somos iguais sem distinção de raça

  12. Com certeza precisamos lutar e muito contra o racismo, a sociedade tem uma divida enorme com todos pelo fato da escravidão, onde muitos foram torturados, humilhados e mortos, entre muitos outros problemas, e mesmo se passando muitos anos ainda assim é muito claro esse preconceito dentro da sociedade, precisamos dar um fim nisso, mostrando que somos todos iguais.

  13. A raça negra ainda sofre muito preconceito, são discriminados devido ao passado da escravidão, por isso a importância do dia da consciência negra para a superação do racismo.

  14. Nos dias atuais acontece quando um negro tem posse: carro, roupa de marca,joias eles são alvo de perseguição age como se fosse errado, um traficante e ladrão.Hoje segurança pública age nas periferia com opressão e hostilização ao jovem pobre e negro chama de vagabundo, matando estudante destruindo famílias, e vidas sendo interrompidas deixando só, uma triste lembrança. O estado omissão porque para o mesmo só é mais um número,pois não significa nomes João, José etc. a maioria dos caso, não são investigado deixado famílias destruídas.

  15. Sinto vergonha quando escuto algum comentário racista, como vimos na TV nos jogos, penso que essas pessoas ainda não sabem o que é sentir dor,elas são desprovidas de sentimento. Não vejo diferença entre uma pessoa de cor branca ou preta, amo com intensidade todas as pessoas do planeta, sejam idosos, crianças. Gosto de pessoas simples daquelas que são humildes sem nojinhos de tudo. Aprecio conversar com pessoas que moram em lugares bem simples, de casa que tenham no máximo um banheiro, dois ou três quartos sem frescura. Se a casa é de chão batido se tem forro pra cobrir as telhas não me importo, gosto de gente humilde, que abraça que beija de verdade, que come na panela toma café na caneca e pronto. Precisamos de amor de amar as pessoas como elas são.

  16. Creio que há uma necessidade de retormarmos ao processo histórico de nossa formação de Povo Brasileiro para compreendermos a importância do negro na formação do pais. Sugiro que antes de iniciarmos o estudo aqui no Brasil poderiamos iniciar como incentivo ao assunto o filme Selma .Após discussão do filme traríamos o assunto a nossa realidade local-do Hoje e do Ontem.

  17. uma data reflexiva que nos remete sentimentos de revolta e indignação por ainda estarmos caminhando em passos lentos. Contudo, sabemos que é possível mudar a partir de uma consciência coletiva com atitudes nobres e educativas para as novas gerações. Vamos acreditar!!!

  18. Li vários comentários em que aparece nas pesquisas que a raça negra é a que mais sofre com os preconceitos de pensarem que essa raça não é capaz de ser alguém na vida,devido o passado que tivemos com a escravidão,porém acredito que essa forma de pensar já mudou bastante pela quantidade de negros que conseguiram vencer e não importa como,basta ser um estudante ou trabalhador honesto é o que importa e é isso que eu luto para que a raça negra não seja vítima de sua própria cor e que venha ignorar os preconceitos mostrando para a sociedade que somos capazes de ser felizes e o resto não é problema nosso e sim de quem tem preconceito.

    • Lamento tudo isso, mas ainda muitos sofrem bastante e se sentem ameaçados. Tenho amigas negras que muitas vezes não querem ir a determinados locais por se sentirem inferiores e por conta disso até ficam com medo. É lamentável mas ainda existem pessoas racistas. Espero imensamente o dia do juízo final, se a lei dos homens é falha a Deus não.

  19. verdade. concordo com você Rosângela. sou negra, e ainda há olhares com julgamentos preconceituosos, porque hoje perante á lei somos protegidos, mas somente no papel. Exemplo que falo é em relação á minha colega de trabalho, que é negra é pré-candidata a vereadora e há olhares e comentários, perseguições dos superiores. As vezes da vontade de processar todos, é evidente por ser negra, gorda não tem valorização profissional. Porra somos humanos feitos de carne e osso como todos.

  20. Pautaria na prevenção, em políticas publicas eficientes e um melhor acompanhamento das que já existem. Vejo no papel vários projetos lindos, porem na pratica, não são tão eficiente assim. Concordo que deve-se ter o olhar humano para os que já se envolveram com substancias psicoativas e que o sistema prisional seja menos excludente e injusto, que não se encarcere só negro e pobre. Mas fico a observar como somos hipócritas quando não fazemos nossa parte de cidadão que é a participação nos espaços públicos, nesse caso nas conferencias da juventude, das crianças, povos tradicionais, mulheres, dentre outras. E achamos que podemos por a culpa em um único seguimento. Uma das medidas seria começamos pela a “EDUCAÇÃO”.

  21. Em minha opinião o racismo nunca deixou de existir no Brasil. Porque esta na cultura de nossa sociedade, onde se fala é negro é bandido! E bandido tem que morrer. Precisamos deixar de ser racista e olhar para o ser humano como um todo, porque por de traz da cor, da religião ou dá classe social existe um cidadão que precisa ser analisado com muito cuidado, cada situação e os fatores que levaram essas pessoas á escolherem ser usuários(as) de drogas e ser bandido.

  22. Olá pessoal
    Li vários artigos e comentários e analisei as estatísticas prisional no Brasil e outros países, que apontam que as pessoas negras é que são presas por uso ou porte de drogas, e que isso caracteriza uma descriminalização.
    Nada contra as pessoas negras, mas não consigo entender, se foram presas por prática de atos ilícitos, onde está o preconceito?

  23. Também concordo que o pobre e negro sempre leva a pior. Já vi comentários de pessoas ricas, ou de pessoas racistas, que o bandido preto sempre tem que morrer. A verdade sobre esse tema, negro e drogas, sempre se repete ao longo dos anos. À uns 11 anos atrás eu ouvi isso vindo de um policial, claro que nem lembro já faz tempo. Ele disse que bandido preto só morto ou na cadeia. Isso me deixou triste na época, mas eu não o conhecia e o medo que eles causam a gente me deixou calada. Resumindo, a hipocrisia do ser humano vem desde a época antes de cristo. Pois os faraós já escravizavam
    os Judeus, eles achavam que eram superiores e que os judeus só serviam como escravos. Eles se referiam aos judeus como um povo sujo, fedorento e porcos, piolhentos. Era o maldito racismo. E isso foi se repetindo até hoje, só mudando de personagens.

    • Infelizmente ainda encontramos pessoas que não amam nem a si próprios e são incapazes de amar o diferente. Não sei nem expressar o que sinto por pessoas assim.

      • Creio que o rcismo diminui a chance do ser humano de se integrar perante a sociedade, pois cria obstáculo para uma chance de conquistas.
        Aquele que está sendo discrminado cria um barreira para si próprio, impedindo-o de se ver como um ser humano, dai a possibilidade de uma fuga atraves das drogas

    • O racismo ainda é evidente no nosso país, é preciso encontrar mecanismos baseados no respeito aos direitos humanos, à autonomia e a promoção da cidadania e sejam evitadas atitudes racistas num país multicultural como o nosso.

    • Concordo Rozangela que o racismo já vem de um passado muito distante e não se pode dizer que é só contra os negros. Muitas pessoas sofrem com o preconceito, mas noto que isso não vai acabar cedo. Só com muitas campanhas que se pode diminuir isso, mas acabar, duvido que isso aconteça.

  24. Parabenizo pela entrevista. Conheço Eduardo Ribeiro pessoalmente, tenho acompanhado sua militância e engajamento na busca por desenvolver entre diversos públicos. Por isso, fico muito feliz em ver uma entrevista dele nesse espaço. Não foi à toa que esta matéria foi publicada no informativo do CURSO PREVENÇÃO DOS PROBLEMAS RELACIONADOS AO USO DE DROGAS – CAPACITAÇÃO PARA CONSELHEIROS E LIDERANÇAS COMUNITÁRIAS, promovido pela Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas do Ministério da Justiça (SENAD/MJ) e executado pelo Núcleo Multiprojetos de Tecnologia Educacional da Universidade Federal de Santa Catarina (NUTE/UFSC).

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